20 de abril de 2007

Big Brother caseiro

Desconsidere os erros de português, pois o revisor passou longe

Gustavo sempre quis morar em apartamento. Certo dia, por ocorrência do destino, ele foi. O prédio não tinha porteiro, mas isso não tem relevância na história. Aquela coisa de abrir o primeiro portão, andar pelo corredor, abrir a outra porta e subir de elevador. Sétimo andar. De lá, dava para ver as ruas todas. Dava pra xeretar a vida do vizinho de prédio, dos botecos da frente, da mercearia, do prédio da frente e das pessoas que passavam lá em baixo. Passava horas olhando a janela, fascinado com o que chamou de seu "Big Brother" particular. Duas semanas depois, Gustavo já conhecia a rotina de várias pessoas. O horario dos botecos, da mercearia, do vizinho e do pessoal do prédio da frente. Mas ele também foi descobrindo as desvantagens dessa vida de cuidar da vida dos outros. Primeiro foi o elevador. Gustavo começou a chegar cansado do trabalho, e o elevador nunca estava lá em baixo. De tanto esperar, não pegava mais o elevador sozinho. Sempre tinha alguém pra puxar papo sobre sua vida. E para não ser chato, sempre respondia. E logo os companheiros de elevador já sabiam muito sobre a vida dele. Sabiam até o valor do contra-cheque, o cargo e a empresa que trabalhava, pois por descuido deixou o holerite cair no chão. Descobriu um canal na sua tevê, que tinha duas câmeras que ficavam filmando vinte e quatro horas a entrada do prédio e do elevador. No mesmo dia, saiu do banho e foi pegar a toalha que havia esquecido próximo da grande janela-sacada do quarto. E várias pessoas do prédio da frente presenciaram tal ato. Ficou envergonhado como nunca na vida. Percebeu que após aquele dia, alguns deles e alguns outros vizinhos da frente começaram a ficar observando a rua de suas janelas. Sentiu-se alvo da sua diversão, personagem de seu próprio programa. Preocupado, decidiu que aquilo não poderia continuar, que a brincadeira era dele, e a graça é ver, não ser visto. Inventou um problema no encanamento do apartamento e fez a imobiliaria mudá-lo para outro apartamento, mas no mesmo prédio. Ainda via a mesma rua, mas estava quatro andares acima. para despistar os curiosos, passou a sair quinze minutos mais tarde do trabalho e até subir de escada. Entrava e passava correndo pelas câmeras. Não mais deixou mais a cortina aberta. Mas não conseguiu resistir em saber o que acontecia lá fora. Abriu um furo na cortina. Não se contentou e comprou um binóculos. Não tirava a tevê do canal do prédio. Comprou uma câmera com um grande zoom e começou a tirar fotos do pessoal do bar. Sabia da rotina de todo mundo. Sabia que a senhora do segundo apartamento do terceiro andar assistia novela mexicana e comia pipoca doce toda noite. Descobriu que o dono da mercearia tomava duas cervejas toda sexta, sozinho, antes de subir com uma "amiga" para o prédio e que sempre duas horas depois ela ia embora e voltava para o bar. Começou a gravar fitas nos horarios que estava trabalhando, comprou outra tevê e de madrugada assistia as duas, já que o movimento no "ao vivo" era quase nenhum e não queria perder nenhum detalhe. Pediu as férias atrasadas na empresa e passou a ficar o dia inteiro em casa. Só descia para ajustar as câmeras do prédio para ter uma visão melhor ou para comprar comida. E mesmo assim, corria como quem disputa a corrida dos cem metros. Conhecia cada pessoa, cada maluquice e bizzarrice das redondezas e de seu prédio. Instalou uma placa nova no computador, começou até a gravar tudo formato digital e a separar os arquivos por dia. Fazia capa para os discos. Sua vida era aquilo. Sua vida era a vida dos outros. Levou cinco meses pra se tocar disso. Mas aí já havia perdido o emprego, as contas estavam atrasadas, havia emagrecido dez kilos e o perdido o contato com os amigos. Ficou intrigado e por alguns dias não gravou nada e até mudou de canal. Chegou a conclusão que só havia um jeito de fazer valer para alguma coisa os meses passados: Pegar um blog qualquer e públicar sua história maluca para ver se alguém comenta e quem sabe, aceita tomar uma cerveja com ele. No boteco alí de baixo, é claro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Guuuu
seu retardado não acredito w vc fez isso
hauahuhauhuaha
Eu aceito!


Boa história heim...candinhaaa
ahuahauhauhauh


Beijos!
;)*

hybris disse...

haha
maluquiinho